Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2017
Dica de Filme

"A Constituição"
2016
Direção: Rajko Grlic


ALGUMAS DE NOSSAS MAIS PROFUNDAS INTOLERÂNCIAS BRILHANTEMENTE ABORDADAS NUM BELÍSSIMO FILME
Antes de falar do filme em si, um pouco de História. De 1918 a 1991, Sérvia e Croácia eram países que faziam parte da antiga Iugoslávia. No entanto, após 1991, houve a proclamação da independência da Croácia, e que foi seguida de uma guerra entre as forças croatas e os separatistas sérvios. Esses últimos desejavam integrar um Estado etnicamente puro, reunindo todos os sérvios da ex-Iugoslávia. O conflito deixou cerca de 20 mil mortos, além de uma ferida aberta de intolerância e preconceito entre os dois povos, e que dura até os dias atuais. E, é nesse conturbado contexto que se passa o enredo de "A Constituição".



A primeira sequência, de alguém colocando um vestido e caminhando até um bar é de uma beleza ímpar (por sinal, o filme é todo belo). Quando descobrimos que essa pessoa é, na verdade, o professor universitário Vjek…
Dica de Filme

"O Vale Sombrio"
2014
Direção: Andreas Prochaska


FAROESTE À MODA ANTIGA ACERTA EM CHEIO AO APOSTAR NUMA TRAMA COM REVIRAVOLTAS BEM CONSTRUÍDAS
Muitos pensam que o gênero faroeste "morreu". Verdade que não se fazem mais tantas produções marcantes como antigamente, porém, isso não significa dizer que mais nada é feito nesse formato. Procurando em produções mais independentes (e, até em outros países) vamos ver que o faroeste ainda pode render ótimos filmes. Claro, os tempos são outros, e, por causa disso, não cabe mais aqueles velhos maniqueísmos, como colocar os indígenas locais, por exemplo, como os eternos vilões. Isso, ao menos, dá vazão a tons mais realistas, e até mais interessantes. É o que vamos encontrar, em linhas gerais, no vigoroso "O Vale Sombrio".



A história aparenta não ser muito complexa, mas, ao longo da narrativa, vai ganhando boas camadas de profundidade. Acompanhamos Greider, um forasteiro que chega a uma vila no meio do nada, …
Dica de Filme

"Ronin"
1998
Direção: John Frankenheimer


EXEMPLO PERFEITO DE FILME DE AÇÃO INTELIGENTE, "RONIN" CONTINUA INSUPERÁVEL EM MUITOS PONTOS
Criou-se um enorme estigma relacionado aos filmes de ação nos últimos anos, de que esse tipo de cinema só funciona se você "desligar o cérebro, e se divertir". Claro que há um completo exagero nessa expressão, mas, não deixa de ser evidente que, realmente, a maioria dos filmes de ação são, em essência, "burros", ou, pra ser mais específico, é aquele tipo de produto que subestima demais a inteligência do espectador. Portanto, os (poucos) exemplares desse gênero que possuem algum diferencial precisam ser enaltecidos. Então, salve o saudoso cineasta John Frankenheimer, que já no final de sua carreira nos presenteou com o petardo chamado "Ronin", que, sem exageros, coloca os vários "Velozes e Furiosos" e "John Wicks" da vida no chinelo.



A história é, aparentemente, simples, mas,…
Disco Mais ou Menos Recomendável

"Feed the Machine"
2017
Artista: Nickelback


COM UM ROCK, EM GERAL, APÁTICO, O NOVO DISCO DO NICKELBACK EMPOLGA POUCO E ENTEDIA MUITO
Algumas bandas dão motivos suficientes para serem odiadas, como o Creed e o Limp Biskit (afinal, quem ainda suporta essas cópias descaradas do Pearl Jam e o Faith no More, respectivamente?). Já, outras, ganharam "fama" por serem bastante odiadas, mas, verdade seja dita: não mereciam, apesar de também não fazerem por onde se destacaram no cenário atual da música. É o caso, por exemplo, do Nickelback, que se, por um lado, possui um som até competente, por outro, faz aquele velho "mais do mesmo", que nem fede, nem cheira. E, isto está presente em praticamente todos os discos da bandas, e este "Feed the Machine" não é exceção. 


O diferencial, desta vez, (se é que podemos chamar de "diferencial") é que a banda volta, digamos, "engajada", com um trabalho que possui um cert…
Dica de Filme

"Raw"
2016
Direção: Julia Ducournau


DRAMA COM TOQUES DE HORROR NÃO JUSTIFICA TODO O HYPE QUE RECEBEU, MAS, NÃO DEIXA DE SER UMA OBRA INTERESSANTE
Muitas vezes, o hype pode estragar a experiência de se assistir um filme. Algumas obras são tão faladas que acabam despertando mais curiosidade por exageros seja do público, seja da mídia especializada. No caso de "Raw", houve um verdadeiro alvoroço depois que o filme causou um grande mal-estar em alguns espectadores no Festival de Toronto no ano passado, chegando ao ponto de uma ambulância chegar ao local para socorrer quem estava passando mal durante a sessão. Era o motivo que muitos procuraram para taxar "Raw" de "o mais mais perturbador do mundo", e outras coisas do tipo. Porém, tirando-se todo essa expectativa, o que sobra? Um filme, a bem da verdade, muito bom, nada de extraordinário, mas, tampouco, é uma produção extremamente pesada e angustiante, apesar de alguns momentos bem tensos.



Dica de Disco

"How Did We Get So Dark?"
2017
Artista: Royal Blood


DUO BRITÂNICO, AO APOSTAR EM MELODIAS MARCANTES, LANÇA UM DOS MELHORES DISCOS DE ROCK DO ANO 
O rock morreu? Ah, tá! A desculpa para ignorar o que de melhor tem sido feito no estilo atualmente já virou clichê. Não adianta discutir muito com os puritanos "catedráticos" sobre o assunto. Para estes, o rock perdeu a relevância a partir da década de 70. Só que os tempos são outros; precisam ser outros. O rock (do bom) continua a ser feito. E, quem nos presenteia, vez ou outra, com discos estupendos são os novatos, essa gente com gás e talento, mas, que, na maioria das vezes, continuam não sendo devidamente conhecidos. É o caso do duo Royal Blood, formado pelo guitarrista e baixista Mike Kerr e pelo baterista Ben Thatcher.


"How Did We Get So Dark?" é apenas o segundo disco dos caras, e já demonstra uma tremenda maturidade. Apostando num rock básico, garageiro, à lá White Stripes, o Royal Blood conseg…
Dica de Filme

"The Devil's Candy"
2017
Direção: Sean Byrne


TERROR SATÂNICO TEM DESENVOLVIMENTO PROMISSOR, MAS, DERRAPA NUM DESFECHO GENÉRICO
Fazer filmes de terror está cada vez mais difícil, não necessariamente porque faltem boas ideias, mas, porque falte coragem para os seus realizadores causarem um grande impacto no público, sem precisar serem apelativos (bons tempos aqueles de "O Bebê de Rosemary" e "O Exorcista", não?). Mas, voltando aos tempos atuais, é muito bacana ver novos cineastas tentando fazer algo de novo, mesmo que o resultado, no final das contas, fique aquém de suas possibilidades. É o caso, por exemplo, deste "The Devil's Candy", cujo diretor Sean Byrne já havia chocado meio mundo com o inquietante "Entes Queridos", em 2009, quando ainda residia na Austrália. "The Devil's Candy" é, portanto, sua primeira incursão no mercado norte-americano (e, a bem da verdade, poderia ter se saído bem melhor).



A his…