Pular para o conteúdo principal

Postagens

Dica de Filme

"Corpo Elétrico"
2017
Direção: Marcelo Caetano


MELHOR FILME NACIONAL DE 2017, "CORPO ELÉTRICO" É UM TOCANTE E TRISTE PANORAMA DE VIDAS IMERSAS NA BANALIDADE DO COTIDIANO
É muito bom quando um filme começa com uma boa metáfora já no seu título. O corpo elétrico é o corpo que precisa de energia, pulsação, enfim, de vida. Mas, também pode significar um corpo destituído de sua humanidade, preso a uma rotina opressora, precisando extravasar para conseguir esse mínimo de vida. Um corpo que mistura-se ao maquinário de onde o seu dono trabalha, camuflando-se por entre as engrenagens dos sistema. Um corpo que busca esperança, prazer e liberdade. Em essência é disso o que trata o primeiro longa metragem do cineasta Marcelo Caetano.



O corpo, em questão, pertence a Elias, que trabalha em um ateliê de roupas. Ao mesmo tempo, o corpo pode ser genérico, referindo-se a todas as outras pessoas que circundam Elias, e que, de um jeito ou de outro, sofrem o que ele sofre: o …
Postagens recentes
Disco Mais ou Menos Recomendável

"Radiola" - Vol. 1
2017
Artista: Nação Zumbi


COM UM ÁLBUM DE REELEITURAS, A NAÇÃO ZUMBI MOSTRA COMPETÊNCIA, MAS, SEM A MAESTRIA DE OUTRORA
O tempo passa. Alguns artistas melhoram. Outros, pioram. E, os demais apenas estagnam. E, este terceiro caso se aplica muito bem à banda pernambucana Nação Zumbi, egressa do saudoso movimento mangue, nos anos 90. Se entre "Rádio S.Amb.A." e "Fome de Tudo", o grupo havia alcançado um nível de criatividade absurdo, parece que depois do morno "Nação Zumbi", de 2014, a tendência é ser mais pop, erradicando cada vez mais os sons tribais das alfais do maracatu em detrimento de um som mais leve, com melodias mais "radiofônicas". Se, por um lado, o som fica mais "redondo, mais "assoviável", por outro, perde aquele senso de genialidade, onde, a cada audição, era uma surpresa, uma sonoridade instigante, diferente, autoral. E, "Radiola Vol. 1", discos de co…
Dica de Série

"Stranger Things" - 2ª Temporada
2017
Direção: Vários


Eis que depois do hype criado na primeira temporada, "Stranger Things" volta, prometendo ampliar ainda mais o seu universo, mas, sem se esquecer das características que fizeram o sucesso da série, como um bem-vindo ar de nostalgia, repleto de homenagens a filmes, músicas e games de décadas passadas, mas, tentando ter a sua "própria cara". E, é com satisfação que afirmo que os realizadores dela conseguiram. Mais dinâmica e elaborada que a temporada anterior, esta aqui introduz novos personagens, sem se esquecer daqueles que se tornaram clássicos. O que poderia dar errado (excesso de personagens), acaba dando certo, muito devido aos roteiristas, que, mais do que nunca, souberam trabalhar bem o desenvolvimento dos personagens, sem deixar que a narrativa fique travada ou monótona. Uma temporada que ficou perfeita para se fazer uma "maratona", devido ao dinamismo da estória e ao carisma…
Filme Mais ou Menos Recomendável

"Thor: Ragnarok"
2017
Direção: Taika Waititi


TERCEIRO LONGA DO DEUS DO TROVÃO É O MAIS DESCARADAMENTE CÔMICO DA FRANQUIA (PARA O BEM E, PRINCIPALMENTE, PARA O MAL)
Com quantas piadas se pode fazer um filme da Marvel? O questionamento pode parecer pejorativo, a princípio, mas, demonstra bastante o modus operanti de como o estúdio realiza as suas produções para o cinema. Incomoda? Não, necessariamente. Uma obra de arte só pode ser considerada boa ou não se, dentro da sua proposta, ela "funciona". E, é aí que "Thor: Ragnarok" peca, pois, já que ele "se assume" como uma comédia, seria de se esperar que boa parte de suas piadas funcionasse. Infelizmente, não é o que acontece. Na maioria das vezes, é tudo tão forçado, com uma necessidade tão grande de fazer rir, que a graça é pouca, com poucos momentos dignos de nota.



O tom debochado, galhofa, fanfarrão, e até meio bobo, já é bem demonstrado na introdução do filme, quando …
Dica de Filme

"Planeta dos Macacos: A Guerra"
2017
Direção: Matt Reeves


CONCLUSÃO DA RECENTE TRILOGIA DO "PLANETA DOS MACACOS" SE MOSTRA COMO UM BAITA DRAMA DE GUERRA, ONDE O CONFLITO É MAIS INTERNO DO QUE EXTERNO
Tem como um blockbuster atual possuir uma carga dramática profundamente intensa? Impossível, não é, mas, ao mesmo tempo está cada vez menos provável assistirmos a uma superprodução do cinema com "substância". Fica a impressão de que o público médio e os grandes estúdios estão numa espécie de acordo tácito que impõe um "limite" pra se fazer esse tipo de filme: os personagens precisam ser rasos, a ação, desenfreada e confusa, e aquela famigerada edição de videoclipe. Portanto, chega a ser não só gratificante, mas, surpreendente, que uma produção como "Planeta dos Macacos: A Guerra" tenha sido realizada em pleno ano de 2017, um "blockbuster" com pouquíssimas cenas de ação, e com um drama pesado, denso e violento, quase com…
Filme Mais ou Menos Recomendável

"Baby Driver: Em Ritmo de Fuga"
2017
Direção: Edgar Wright


A DESPEITO DO SEU TÍTULO EM PORTUGUÊS, "EM RITMO DE FUGA" PERDE RITMO AO LONGO DE SUA NARRATIVA, VIRANDO, AO FINAL, SÓ MAIS UM FILME "COOL"
Muitos, talvez, não se deem conta, mas, cinema também é diversão, também é ambiente para desopilar a mente, esquecer os problemas e embarcar numa história fantasiosa e absurdamente descompromissada. Portanto, não há problema algum com filmes "cool", ou, simplesmente, "legais". O problema está no fato de que, na maioria dos casos, produções que seguem por esse caminho, ironicamente, não conseguem manter a aura "cool" o tempo todo. Ao contrário: é bastante comum esse tipo de filme começar a todo vapor, completamente alucinado, e, aos poucos, ir perdendo fôlego e se rendendo a clichês baratos. E, "Baby Driver", mais novo projeto do diretor Edgar Wrght (de "Scott Pilgrim Contra o Mundo"…